Comentário

Marco Antônio Teixeira para o jornal O Globo de 15/03/09
João Paulo Lins e Silva

Publico aqui um comentário que foi feito por Alfredo Aguiar no site de Barbara Gancia e também no vi o mundo de Carlos Azenha.

enviado por Alfredo às 02h21 em 26 de Mar de 2009

Parece irreal, é surrealista!

O filho é dele mas o dono sou eu

Se ouvíssemos essa frase vinda de um índio de alguma tribo silvícola, quem sabe de algum desses países de cultura tão estranha a nossa em que as leis seguem critérios tão curiosos quanto insólitos, não pareceria impossível de ser dita por alguém que não tenha tido acesso a cultura ou educação mínima adequada, mas pasmem vem de uma pessoa que não somente tem formação didática e jurídica sobre o tema mas que escolheu pautar sua vida profissional em luta contra essa monstruosidade.

Tento, e não consigo graças a Deus, imaginar o que passa na cabeça daquele que é pai mas não pode ser o “dono”, não sei se eu como pai resistiria, me fluem instintos animais que preferiria não saber existirem dentro de mim, confesso que a primeira coisa que me passa pela cabeça é mandar o padastro ir ter uma conversa ao pé do ouvido com o coisa ruim, com passagem só de ida. Eu não conheço o Sr. paulo lins & silva mas quando ouço seus “argumentos”me dá ánsia de vomito. Também não conheço o Sr. Goldman, mas me parece que deva ter recebido transfusão do sangue de algumas baratas em alguma parte de sua vida, só isso para explicar tanta paciência com as piadas que a justiça brasileira lhe conta a cada decisão. Só uma força sobrenatural para entender ser tão achincalhado pelo algoz de seu filho!

Fico imaginando como no mundo atual se possa aceitar a tentativa judicial de tentar tomar o filho amado de outra pessoa, só o ensaio já deveria ser um escarnio prontamente rejeitado pelo judiciário, mas eureca, não só aceitaram como deram ganho de causa ao meliante, não que a justiça brasileira seja conhecida por ser justa, mas perecia que existiam alguns limites em seus atos, não existem mais, é a Sodoma e Gomorra institucionalizada.
O que a justiça brasileira vem fazendo, com o apoio de setores da sociedade e do vergonhoso senado é dar um papel de propriedade sobre uma criança para esse Sr. lins & silva, algo que parecia ter desaparecido com a abolição da escravatura, a justiça acaba de abolir o exame de DNA e aceitar o extrato bancário como determinante de paternidade, nem Maquiavel em dia inspirado teria atrevimento de escrever tal comédia.

É isso? Não, não é só isso, existem defensores, porque um manicômio não seria completo sem os loucos. As teses? As mais diversas - o bom colégio, - o sobrenome lins & silva e a mais estúpida - o tempo que o menino está em “poder” do padastro, em que a justiça os defensores se apóiam? Imagino que paternidade com data vencida, quem sabe uso capião, talvez direito adquirido! Nada pegava, então inventaram o termo: Convivência Sócio Afetiva!!! Maravilhoso termo!!!! Juizes, senadores e toda casta de socialites se rendem a ele, até eu pensei em pegar aquele carrão da minha vizinha e “conviver” com ele na garagem por algum tempo, mas pensei que poderia não dar certo, um carro é um bem muito valioso, não é como um moleque qualquer. Você já imaginou que se pegar um simples urso de pelúcia e esconder em seu quarto um juiz pode lhe prender e você terá que inegavelmente devolve-lo , mas você pode se apropriar do filho de outra pessoa com consentimento da justiça se o seu sobrenome tiver algum peso monetário?

E querem que nós humanos normais entendamos isso como natural?
E justo?

Em comum...


O que David Goldman e Luiz Fernando Vianna têm em comum? Infelizmente, o drama que os une, é mais comum do que se imagina. Eles tiveram seus filhos sequestrados! As mães das crianças foram as sequestradoras! Sim, sequestradoras! Porque se um pai ou uma mãe matar seu filho, isto é um homicídio, não é? E nos dois casos, os crimes tiveram o aval da justiça brasileira.
O primeiro, um americano casado com a brasileira Bruna Bianchi. Viviam nos EUA, onde também nasceu o filho. Ela resolveu voltar para o Brasil e levar o filho. Já no Brasil, por telefone, disse ao marido que queria o divórcio e que ele só voltaria a ver o filho, se concordasse em lhe dar a guarda da criança. Casou-se com o mesmo advogado que conseguiu fazer o seu divórcio, João Paulo Lins e Silva. Advogado de família influente e, creiam, advoga na área de Família! Bruna Bianchi faleceu em agosto de 2008, após dar a luz a sua filha com Lins e Silva. O pai de seu primeiro filho, David Goldman, viu então a possibilidade de, finalmente, após uma luta inglória de 4 anos, ter a guarda do seu filho. Não foi que para sua surpresa, o brilhante advogado conseguiu em tempo recorde na Justiça a guarda da criança, alegando a paternidade socioafetiva? Mas não foi só esta proeza que ele conseguiu! Conseguiu também calar a mídia brasileira, alegando que o processo corria em segredo de Justiça. Eu já sabia desse caso desde outubro passado. Informei a todos os meus contatos, tentei que fosse divulgado em blogs muito acessados (em vão)... Enfim! Agora, que o caso está ganhando repercussão internacional, devido a Hillary Clinton ter abordado o assunto com Celso Amorim, os grandes veículos de informação resolveram apresentar o caso à população brasileira! Ontem, estava na primeira página do site da Globo, a chamada para a notícia. Curioso é que a Globo já sabia há muito tempo... Nos EUA, há muito tempo este assunto está na pauta de diversos programas. Ontem, inclusive, David foi entrevistado por Larry King.
O segundo caso, infelizmente, será mais difícil de resolver, uma vez que a sequestradora está viva e o pai não tem um governo poderoso em sua retaguarda. Seu filho hoje mora na Austrália com a mãe, o padrasto e o meio irmão. Trata-se também de uma linda criança. O que revolta nesse caso é que, para além de ter conseguido levar o menino para longe do pai, numa manobra engendrada por mentes psicopatas, a mãe não enxerga que a ida da criança para a Austrália dificultará o progresso que ela teria, caso estivesse no Brasil, junto ao pai e a família que o adoram. O menino é autista.
Enfim, dois casos que me comovem e que tomei conhecimento em minhas andanças pela net.
Mas sei que existem muitos mais casos semelhantes. É uma pena que as mães sejam vistas pela Justiça, sob raras exceções, sempre como pessoas virtuosas. Geralmente, os pais são, na maioria das vezes, vítimas da Alienação Parental.
David e Luiz, apiedo-me com suas lutas e suas dores!
Desejo boa sorte a vocês e lucidez aos dos outros lados.

UPDATE: Luiz Fernando Vianna publicou isto em seu blog. Faço questão de registrar isto aqui também para aqueles que ainda acham que os casos não são de sequestro.
Pesquisa personalizada